A CIÊNCIA DA ADMINISTRAÇÃO E A SOCIEDADE ORGANIZACIONAL
- Adm. Ilmar Polary

- 8 de out. de 2025
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Vivemos numa sociedade de organizações sociais de todos os tipos: industriais, comerciais, prestadoras de serviços; portes: micro, pequenas, médias e grandes empresas; e propriedade: públicas, privadas e sociedades de economia mista. Há de se considerar ainda as multinacionais, transnacionais e globais, que operam em vários países. Toda organização tem a sua cultura e o seu contexto organizacional, ressalvado as exceções, é um universo hipercomplexo, e é isso que o torna desafiador e empolgante para os Administrares, requerendo a compreensão da Ciência da Administração, a expertise profissional, sua visão de mundo, seus valores, a filosofia e o estado da arte no agir em cada contexto organizacional específico e único na sociedade das organizações.
Em nível de competência paradigmática, Bijur e Caravantes (2017) recomendam para os administradores incipientes focarem na análise dos pressupostos fundamentais associados a ideias básicas em três aspectos: o mundo – como é construído fisicamente, a causalidade como parte a natureza; o conhecimento – sua relação simbólica com a natureza, os seres humanos e a importância da coordenação das pessoas nas organizações; e o Homem – suas origens e natureza humana sobre o bem e a busca de cidadãos com objetivos de longo prazo e vida em comunidade.
Em análise dos aspectos da competência pragmática descritos por Bijur e Caravantes (2017), destaca-se que a visão do mundo de cada pessoa e sua posição existencial (Berne, 1988), influencia na forma como a pessoa pensa, sente e age. O Administrador com uma visão do mundo que predomina uma realidade construtiva da vida, potencializa o alcance de metas alcançáveis com resultados que não prejudicam as pessoas e as organizações, mas quando a visão predominante é negativista, tende a comprometer os resultados por não respeitar a si mesmo nem aos outros.
O conhecimento aliado às boas práticas de gestão, cria um alicerce poderoso para intervenções que aumentam as probabilidades de obtenção de êxito em qualquer contexto organizacional. Na concepção do Homem e sua natureza humana, devem predominar em seu caráter os valores humanos sólidos e universais de conivência em família e comunidades que possam se perpetuar por gerações.
Na evolução dos estudos organizacionais, Trentin (2021) deduz que necessitaria ser entendida como um processo dialético e de construção social, definido por diferenças e instigado por grupos de interesses. De fato, observa-se que os grupos de interesse estão presentes na sociedade organizacional, e o grande desafio dos gestores está em conciliar esses interesses em prol de objetivos comuns e de resultados que contemplem as demandas sociais e econômicas. Desde a década de 1960, Pfeiffer (1960), considerado o pioneiro na teorização da Administração Pública, já sinalizava que a administração consiste em realizar as coisas coordenando os esforços das pessoas para que possam trabalhar juntas para realizar as tarefas definidas.
Esse contexto da sociedade de organizações sociais nos remete a Morgan (2000, p.91), que ressalta a “Aprendizagem a Auto-Organizações: as Organizações Vistas como Cérebros”. E nessa visão, sugere focalizar a sua capacidade de aprender e o processo que tanto pode atrofiar quanto aumentar a inteligência organizacional. Prosseguindo, aponta como os resultados da pesquisa sobre o cérebro podem criar organizações que apreendem, a inteligência que pode ser distribuída através da empresa e o poder da informática para desenvolver modos descentralizados de organizações que são simultaneamente globais e locais.
Essa sociedade organizacional, que integra as organizações públicas e privadas que formam o setor produtivo do país, quando alcançam a sustentabilidade organizacional, geram desenvolvimento econômico e social. A sustentabilidade organizacional é produtiva na ideologia congruente de preocupações econômicas, sociais e ecológicas (Yin; Chang, 2020).
Milach, Meirinho e Barros (2017) apontam que as empresas devem participar do desenvolvimento sustentável. O projeto Visão 2050 do Conselho Empresarial Mundial para o Desenvolvimento Sustentável (WBCSD), sugere que um mundo a caminho da sustentabilidade exigirá mudanças fundamentais nas estruturas de governança e econômica.
Na sustentabilidade organizacional, as organizações através das tecnologias de gestão, do empreendedorismo e da capacidade tecnológica, trilham para a perenidade, favorecendo o desenvolvimento econômico sustentável (Polary-Pereira, 2022). No desenvolvimento social sustentável e na atuação do gestor público devem prevalecer, além dos conhecimentos e habilidades técnicas, a capacidade de envolvimento da sociedade e, principalmente, comportamento pessoal-profissional ético, o que impacta positivamente nas organizações sociais e na sociedade (Polary-Pereira; Costa, 2023).
Entende-se o que as Entidades que atuam em prol da Ciência da Administração, como as Academias de Ciência, a exemplo da Academia Brasileira de Ciência da Administração - ABCA e as Academias Estaduais, dentre elas a Academia Maranhense de Ciência da Administração - AMCA, as Universidades e IES, o Sistema CFA/CRAS, os grupos de pesquisa acadêmica institucionalizados, os Sindicatos dos Administradores e demais instituições da área, podem contribuir atuando de forma integrada com a Sociedade Civil, visando o desenvolvimento da Ciência da Administração e das organizações para o bem coletivo da sociedade.
Nesse caminho, ressalta-se que a Ciência da Administração exerce um papel fundamental para que as organizações sociais privadas e públicas se tornem perenes, alcancem a sustentabilidade organizacional e contribuam com o desenvolvimento socioeconômico do país.
“Salve, salve a Academia”.
Adm. Ilmar Polary Pereira
Presidente da AMCA - Cadeira nº 2
Membro Vitalício da ABCA - Cadeira nº 14
REFERÊNCIAS
BERNE, Eric. O que você diz após dizer olá?: a psicologia do destino. Ed. Nobel, São Paulo, 1988.
BIJUR, Wesley E. CARAVANTES, Geraldo R. Filosofia de paradigmas: pensamento crítico, ética, moral e inteligência espiritual no campo da Administração. 1. ed. Porto Alegre, RS: AGE, 2017.
PFEIFFER, John Mc Donald. Administrative Organization. Prentice Hall, 1960
MILACH, S.; MEIRINO, M. J.; BARROS, S. R. S. Comunicação, conexão e transformação: o uso das novas tecnologias de comunicação e informação pelas organizações na promoção do desenvolvimento sustentável. In: Osvaldo Luís G. Quelha; Marcelo J. Meirino; Sergio Luiz, 2017.
MORGAN, Gareth. Imagens da organização. São Paulo: Atlas, 2000.
POLARY-PEREIRA, Ilmar. Tecnologias de Gestão e Sustentabilidade Organizacional em Pequenas e Médias Empresas - PMEs. Brazilian Journal of Business - BJB, Curitiba, v. 4, n. 1, p. 352-370, jan./mar.2022.
POLARY- PEREIRA, Ilmar; COSTA, Gustavo Pereira. Gestão pública integrada e sustentabilidade organizacional. Revista GeSec. São Paulo, SP, Brasil, v. 14, n. 6, 2023, p. 9297-9317.
TRENTIN, Luciano. Ciência da Administração: uma Análise a Partir de Diferentes Abordagens Paradigmáticas. Congresso Internacional de Administração, Ponta Grossa, Paraná, 2021.
YIN, Chi-Yen; Chang, Hsiao-Hsin. What Is the Link between Strategic Innovation and Organizational Sustainability? Historical Review and Bibliometric Analytics Sustainability, 2020.


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